segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Estudo revela que o tigre da Índia é a mais elevada das subespécies existentes

A chave para a sobrevivência do tigre (Panthera tigris) - espécie ameaçada de extinção, com apenas 3500 animais em estado selvagem - está no subcontinente indiano. A importância do tigre de Bengala (Panthera tigris tigris) é a sua variabilidade genética, a mais elevada das seis subespécies existentes, diz um estudo publicado na revista científica disponível on-line grátis PLoS Genetics.
Avistar os 2000 tigres de Bengala em estado selvagem (na Índia, Bangladesh, Nepal, Butão, Birmânia e Sul do Tibete) é cada vez mais difícil. Esta subespécie representa 60 por cento da população mundial e foi estudada pela equipe da indiana Uma Ramakrishnan, do Centro Nacional para as Ciências Biológicas. As suas conclusões podem fazer a diferença para a sobrevivência de uma espécie que registou uma assustadora diminuição de 93 por cento, devido à caça, à perda de habitat e desaparecimento das suas presas. Das nove subespécies conhecidas, três extinguiram-se na última metade do século XX.
“Os nossos resultados são importantes para a conservação global do tigre, porque sugerem que as populações do subcontinente indiano são cruciais para a recuperação da espécie”, escrevem os autores.
Após recolher 71 amostras de excrementos de tigres de Bengala - de animais de 28 populações diferentes, a viver em áreas protegidas -, Ramakrishnan concluiu que estes animais “têm uma variabilidade genética muito mais elevada do que as outras subespécies”. Isto explica-se porque as outras registaram declínios mais graves e porque têm populações menores.
A Índia perdeu 90 por cento dos seus animais nos últimos 200 anos. Os investigadores lembram que mais de 80 mil tigres foram mortos de 1875 a 1925, durante o domínio colonial britânico, que tinha como desporto a caça ao tigre com armas de fogo.
Apesar da regressão das populações, o tigre de Bengala tem 76 por cento da diversidade mitocondrial da espécie. A elevada variabilidade genética permite-lhe adaptar-se melhor a habitats mais diversos.
A má notícia é que a maior parte dos habitats são pequenos e estão fragmentados. Os investigadores defendem que os esforços devem ser concentrados nas áreas protegidas que ainda tenham densidades elevadas e tenham boas ligações entre si.
Em 2008 existiam 1141 tigres na Índia, o segundo país mais populoso do mundo, onde vivem mais de mil milhões de pessoas, revelou em Julho o Governo indiano. O futuro destes grandes felinos é mais do que incerto. Nesse mês, a Reserva Natural de Panna (no estado de Madhya Pradesh) anunciou que, em três anos, perdeu todos os seus 24 tigres, mortos por caçadores furtivos. Partes do corpo dos animais e a sua pele continuam a ter um elevado valor nos mercados asiáticos.

Fonte: Público PT

http://www.anda.jor.br/?p=16224

Canto pode influenciar a evolução da cigarra


Investigadores portugueses da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa acreditam que a capacidade acústica das cigarras, que cantam durante grande parte da sua vida, está associada à reprodução e evolução da espécie. E consideram que a diversificação dos seus cantos pode ser até responsável pelo surgimento de novas espécies
Já dizia a fábula, e até de um modo meio depreciativo, que enquanto a formiga trabalha, a cigarra canta. Pois, agora, os investigadores portugueses descobriram que, durante essas horas de canto, as cigarras podem estar a contribuir para o desenvolvimento da espécie. E que a diversificação dos seus cantos pode até explicar o aparecimento de novas espécies.
Três estudos publicados em revistas internacionais da especialidade revelam novas características destes insectos. Os trabalhos foram realizados por investigadores do Centro de Biologia Ambiental do Departamento de Biologia Animal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da School of Biosciences da Universidade de Cardiff (no Reino Unido), que contribuiu na parte genética dos estudos.
Estes insectos têm olhos grandes e uma capacidade acústica que, nos dias de maior calor, pode atingir os cem decibéis. Os machos, pois as fêmeas são silenciosas. As cigarras chegam a viver 17 anos, sendo dos insectos com maior esperança de vida.
Mas grande parte do tempo passam-no a alimentar-se e a crescer debaixo de terra. Daí saem por algumas semanas, na fase ninfa, para se reproduzirem e morrerem. No tempo que passam à superfície, toda a energia é usada no acasalamento e na deposição de ovos em plantas herbáceas.
José Alberto Quartau, especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explicou à Lusa o trabalho. "A investigação tentou comparar a evolução de algumas espécies de cigarras ao longo de várias gerações, a níveis morfológico, genético e comportamental." E a conclusão prova que a comunicação acústica é usada essencialmente na reprodução.
"É um exemplo muito bonito de como a comunicação acústica tem um papel muito importante na criação de novas gerações, ao servir de sinalização dos machos para atrair as fêmeas da sua espécie."
Esta comunicação acústica implica grande dispêndio de energia, pois os machos chegam a cantar horas seguidas no tempo de maior calor. Fazem-no através da vibração de membranas, provocada pela contracção de músculos.
Ao constatar que a evolução enveredou nestes insectos pela comunicação acústica, por lhes trazer grandes vantagens, os investigadores vão tentar agora demonstrar que o aparecimento de novos sinais acústicos poderá estar na origem da criação de novas espécies.
R. C.http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1336896&seccao=Biosfera

sábado, 15 de agosto de 2009

Escolho os meus Amigos...

Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer,
mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão
pelas injustiças.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de
aprendizagem, mas que lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade de infância e outra metade de velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos,
para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e
estéril.

Oscar Wilde

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mais de 100 mil cães infectados com leishmaniose

Queda de pêlo, emagrecimento, apatia e crescimento exagerado das unhas são alguns dos sintomas da leishmaniose canina. Luís Madeira de Carvalho, médico veterinário e membro do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH), escreve sobre esta doença.
Luis Madeira Carvalho é médico veterinário e membro do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH)
A Leishmaniose Canina é uma doença parasitária infecciosa causada por um mosquito, o flebótomo, também chamado de "mosca da areia". Trata-se de um insecto pequeno, de 2 a 3 mm, com uma coloração cor de palha que transmite a doença aos cães, a animais silvestres como a raposa, mas também ao Homem.
Normalmente, a Leishmaniose Canina surge em cães com mais de 1 ano de idade e mais frequentemente em animais de pêlo curto ou que vivem no exterior. Frequentemente o cão tem um aspecto saudável, mesmo já estando infectado, e os primeiros sintomas surgem já numa fase mais avançada da doença.
O parasita multiplica-se na pele, na medula óssea, no baço, no fígado e nos linfonodos, originando um quadro de sintomas tardio, de progressão lenta e muito variável. Os sintomas mais comuns são a queda de pêlo; emagrecimento; fraqueza geral; apatia; febre irregular; feridas cutâneas persistentes que não cicatrizam, aumento exagerado das unhas (Leishmaniose cutânea); dilatação do fígado ou do baço; diarreia e vómitos (Leishmaniose visceral).
O maior risco de infecção está directamente relacionado com a época activa do insecto transmissor que começa com o início do calor - normalmente em Abril, estendendo-se até Outubro. Em anos mais quentes pode iniciar-se em Março e terminar em Novembro.
Recentemente, o Observatório Nacional das Leishmanioses, com o apoio da Intervet Schering-Plough, realizou um rastreio nacional a mais de 4000 cães, e concluiu que na amostra estudada existe uma prevalência total de 6%, o equivalente a cerca de 110 mil cães infectados, se os dados do estudo forem extrapolados para o total da população canina em Portugal. Foram abrangidas 53 Cidades e Vilas, sendo que Beja, Castelo Branco e Portalegre são os três distritos mais afectados, com uma prevalência superior a 10%.
Este estudo dá-nos um real conhecimento da infecção no nosso país, da sua distribuição pelo território nacional no mesmo período de estudo e permite dar uma resposta mais adequada às necessidades de cada região. Pretende-se que as conclusões desta investigação possam esclarecer e sensibilizar as populações para a Leishmaniose Canina.
Ao sensibilizarmos as entidades mais envolvidas no combate à doença, estamos a proteger os cães da doença. Estudos sobre o aquecimento global e a evolução climática mostram que há uma tendência para o alargamento das zonas endémicas para áreas mais a norte.
A Organização Mundial de Saúde recomenda que perante este quadro os países devem colocar rapidamente em prática sistemas de alerta e de controlo que permitam proteger as populações desta e de outras patologias infecciosas directamente afectadas pelo aumento da temperatura global.
É recomendado que se encoraje os donos dos cães a colocarem nos seus animais as coleiras impregnadas de deltametrina. A utilização destas coleiras poderá reduzir o contacto entre o Flebótomo e os cães, de tal forma que poderá diminuir o risco de transmissão ao Homem e a outros animais.
Os proprietários de cães melhor esclarecidos permitirão, pelo menos, uma redução do crescimento da prevalência desta doença. A evolução da Leishmaniose Canina deve ser seguida de perto, pois constitui um risco para a Saúde Animal e para a Saúde Pública.
Para saber mais sobre esta doença, deixo aqui o site www.onleish.org
Luís Madeira Carvalho
14:45 Sexta-feira, 14 de Ago de 2009
http://aeiou.expresso.pt/mais-de-100-mil-caes-infectados-com-leishmaniose=f530965

Plataforma Autarquias

Caro cidadão,
A partir de hoje, tem ao seu dispor a plataforma autarquias.org.
Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os
municípios para as mais variadas situações, desde de Lixos na via pública,
postes de iluminação que não o funcionam, buracos na via pública,
equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de
problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem
conhecimento.
Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas
apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos
alertas adicionando comentários.
O autarquias.org permite também a criação de
debates por cidadãos que pretendem discutir assuntos que lhes pareçam
pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a
autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município., como também
a abertura de petições.
Participe neste projecto.
www.autarquias.org

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Aves e outras espécies endémicas em perigo : Mosquitos ameaçam o arquipélago das Galápagos com desastre ecológico


São uma praga em qualquer lado, mas no santuário ecológico das ilhas Galápagos, os mosquitos para lá transportados juntamente com os turistas, que chegam em número cada vez maior, são um fenómeno sem controlo que pode provocar um desastre, revela um novo estudo.
Pensava-se que o mosquito comum do Hemisfério Sul, "Culex quinquefasciatus", tinha sido introduzido nas Galápagos num único evento, na década de 1980. Mas cientistas da Universidade de Leeds, da Sociedade Zoológica de Londres, da Universidade de Guayaquil e do Parque Nacional das Galápagos provaram que este mosquito vem frequentemente de boleia a partir da América do Sul, e que se está a cruzar com insectos locais.
Os mosquitos vêm de avião e também nos barcos carregados de turistas - o que torna provável que a invasão se espalhe a todo o arquipélago onde Charles Darwin descobriu tentilhões com bicos de formas diferentes, que o ajudaram a desenvolver a teoria da evolução através da selecção natural.
"O número de mosquitos que chega de avião é baixo, mas aterram muitos aviões diariamente, e os mosquitos parecem capazes de sobreviver e de se reproduzir" com espécies locais, diz Arnaud Bataille, um dos investigadores ligados ao estudo, publicado na revista científica britânica "Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences".
O "Culex quinquefasciatus" transmite várias doenças, que afectam tanto animais como seres humanos. Ao ser introduzido no Hawai, no fim do século XIX, provocou epidemias devastadoras nas aves do arquipélago.
"O nosso trabalho mostra que estão a criar-se condições para que ocorra um desastre semelhante nas Galápagos", comenta Andrew Cunningham, outro cientista, num comunicado de imprensa.

12.08.2009 - 14h43 PÚBLICO http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1395812&idCanal=13

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

LIVROS COM BICHOS



Não vos vou falar hoje de “Os Bichos”, do genial Miguel Torga. Agora apenas de um livro (“Três ingleses num barco sem contar com o cão”) que me fez rir quando jovem pela subtileza do humor e pelas situações vividas por três ingleses (O que não é inteiramente verdade já que um dos passageiros é polaco) em passeio histórico pelo Tamisa acima, acompanhados de um cão de nome Montmorency.

Este livro, de finais do Séc. IXX, cujo autor, Jerome K. Jerome, pretendia obra séria e didáctica, foi aos poucos tornando-se um símbolo do humor inglês. Inicialmente publicado em folhetins, o editor foi-lhe retirando as partes históricas, realçando as humorísticas e as caricatas. É inesquecível a cena do chá das cinco, no bote, em que todos dizem em voz demasiadamente e desnecessariamente alta que não querem nem lhes apetece chá, “chá que horror!”, única maneira de fazer com que a água ferva mais depressa.
(Cotovia Editora). A.M.