quinta-feira, 30 de julho de 2009

População mundial de 300 mil Bisbis concentrada nas florestas da Madeira


Primeiro estudo sobre espécie de ave Regulus madeirensis descoberta em 2007
A ilha da Madeira é todo o território mundial do pequeno e irrequieto Bisbi Regulus madeirensis, ave com um peso médio de seis gramas descoberta em 2007. Hoje, a Spea (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) revelou que existem cerca de 300 mil indivíduos nas florestas da ilha, de acordo com os resultados do primeiro estudo realizado sobre a espécie.
Tons de laranja, verde, cinzento, preto e branco pintam esta ave que, até 2007, era considerada a sub-espécie madeirense da estrelinha (Regulus ignicapilus), ave que ocorre em quase todo o continente europeu.
Mas um olhar mais atento e testes genéticos revelaram que, afinal, esta era uma espécie distinta, explicou Ana Isabel Fagundes, directora da Spea-Madeira, ao PÚBLICO. “Pensávamos que se tratava apenas de uma pequena variação. Mas depois foram descobertas diferenças significativas, nomeadamente nas vocalizações, no tamanho do bico e na coloração”, contou. Afinal de contas, o bico é ligeiramente mais comprido, a risca branca por cima do olho é mais curta e, contrariamente, às aves do continente europeu, a crista dos machos e das fêmeas é laranja (no continente a dos machos é laranja e a das fêmeas é amarela). Testes genéticos vieram confirmar as suspeitas e o Bisbi passou a ser uma espécie única no mundo. E a mais pequena da Madeira.
Hoje sabe-se que as 300 mil aves representam uma densidade geral de 6,9 indivíduos por hectare, estando os habitats preferidos entre os 400 e os 800 metros de altitude. “Esta ave vive na floresta Laurissilva, mas também em zonas de pinhal e de urzal”, acrescentou a bióloga, depois de um extenso trabalho de anilhagem.
“Esta é uma espécie estável, com um número de indivíduos bastante bom” e não se conhecem ameaças, notou Ana Isabel Fagundes. “Mas o que queremos é continuar a fazer censos sobre a espécie, pelo menos, de dois em dois anos para conhecermos a sua evolução”. Por enquanto, é uma espécie com estatuto de Pouco Preocupante.
O estudo sobre o Bisbi teve o apoio da Birdlife International, RSPB (Royal Society for the Protection of Birds) e da Universidade de Ciências Aplicadas Van Hall Larenstein (Holanda).
A Spea quer fazer estudos semelhantes para outras espécies da avifauna da Madeira, também pouco conhecidas. Para o ano, adiantou a responsável, está previsto um estudo sobre o Fura-bardos ou gavião, sub-espécie de ave de rapina que apenas existe na Madeira e nas Canárias. “Esta é uma ave muito esquiva, de voo muito rápido e difícil de observar”. A Spea já contactou os seus colegas nas Canárias para tentar estabelecer uma parceria para esta investigação.
29.07.2009 - 13h04 Helena Geraldes - publico.pt

Actividade científica nacional em destaque no Encontro Ciência 2009


Divulgar a Ciência que se faz em Portugal, estimular a cooperação científica e fomentar o diálogo entre os cientistas e a sociedade é o objectivo do III Encontro Ciência em Portugal – Ciência 2009, que tem início esta quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pelas 10H00.
Trata-se de uma iniciativa do Conselho dos Laboratórios Associados, em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que decorrerá até quinta-feira.
Este terceiro Encontro prossegue o debate de algumas das mais importantes linhas de actividade científica em Portugal, bem como os avanços científicos e tecnológicos em áreas como a das novas terapias celulares, células estaminais, nanotecnologia, organismos geneticamente modificados, novos materiais para novos produtos, transferência e comercialização de tecnologia, cidadania e segurança, entre outros.
O Ciência 2009, que pretende ser o ponto de encontro e de troca de conhecimentos entre a comunidade científica portuguesa, constitui uma oportunidade privilegiada para conhecer o trabalho dos cientistas portugueses nas mais relevantes áreas de actividade.
Participam nos trabalhos representantes de instituições científicas e empresas
Escrito por CienciaPT
29-Jul-2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ratinhos criados de raiz a partir de células adultas reprogramadas


A reprogramação de células adultas em células capazes de dar origem a todos os tecidos do organismo deu mais um passo importante
Pela primeira vez, uma equipa de cientistas conseguiu fazer nascer ratinhos exclusivamente gerados a partir de células de ratinho adultas que tinham sido previamente reprogramadas por terapia genética. Shaorong Gao e colegas, do Instituto Nacional de Ciências Biológicas de Pequim, publicaram os seus resultados ontem na revista Cell Stem Cell.
As células a partir das quais os animais foram gerados são "células pluripotentes induzidas", ou células IPS, e têm suscitado o entusiasmo nos últimos anos porque poderiam substituir um outro tipo de células com imenso potencial terapêutico: as células estaminais embrionárias (CEE). Como já muito se disse e escreveu, as CEE, criadas por clonagem a partir das próprias células de um doente, permitiriam a seguir obter tecidos e órgãos totalmente compatíveis com esse doente.
O problema é que a produção de CEE recorre a uma técnica de clonagem como a da ovelha Dolly, implicando portanto a destruição de embriões humanos (que seriam gerados apenas para colher neles, passados uns dias, as ditas células), algo que, por razões éticas, religiosas, etc., incomoda muita gente. O recurso a células IPS tem a grande vantagem de dispensar embriões, substituindo a etapa da clonagem por uma etapa de introdução de genes na célula adulta, genes que a obrigam a regressar à infância, por assim dizer.
A história das células IPS começou em 2006, no Japão, quando Shinya Yamanaka e colegas, da Universidade de Quioto, mostraram que, ao inserir quatro genes específicos em células humanas, a bordo de um vírus, conseguiam fazê-las regredir até um estádio que, ao que tudo indicava, era semelhante ao estádio embrionário.
A seguir, a mesma equipa conseguiu reprogramar as células IPS sem recorrer a vírus como veículo de introdução dos genes (o que poderia ter efeitos indesejáveis) e sem utilizar um dos genes iniciais, conhecido por ser potencialmente cancerígeno.
As células IPS de ratinho, por seu lado, já deram provas de serem muito parecidas com células embrionárias: em particular, quando injectadas em embriões, deram origem a diferentes tipos de tecidos nos animais resultantes.
Mas faltava uma derradeira prova: a de que as células IPS, por si sós, chegavam para originar um ratinho inteiro, de raiz. Foi isso que os cientistas chineses conseguiram fazer agora: a partir de uma linhagem de células IPS derivada de fibroblastos de ratinho, conseguiram fazer nascer vários ratinhos, um dos quais atingiu mesmo a idade adulta.
A técnica que utilizaram, dita de "complementação tetraplóide", consiste em introduzir as células IPS num embrião cujas células não são capazes de contribuir para a formação do organismo final. Os especialistas consideram ser este o derradeiro teste da pluripotência de uma célula - ou seja, a prova provada de que ela é capaz de dar origem a todos os tecidos de um organismo, tal como uma autêntica célula estaminal embrionária.
Porém, a história não acaba aqui. "Estes resultados constituem uma importante prova de princípio", salienta Gao em comunicado, "mas seria prematuro afirmar que as células IPS em geral são funcionalmente equivalentes às CEE normais."

24.07.2009 - 11h02 Ana Gerschenfeld Publico

quinta-feira, 23 de julho de 2009


CURIOSIDADES



Para quem estiver interessado de Norte a Sul de Portugal, há um site intitulado
pai.pt
que nos dá os endereços de todos os veterinários da zona. A referência ao site no Google é:

“Pesquisa por localização e o pai encontra!"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Alterações climáticas estão a tornar peixes cada vez mais pequenos


Os peixes das águas europeias perderam metade da sua massa corporal no espaço de algumas décadas, por causa do efeito das alterações climáticas, concluiu um estudo do instituto francês Cemagref, publicado hoje nos Estados Unidos.

Os investigadores deste instituto público especializado na gestão sustentável das águas e dos territórios estudaram as populações de peixes nos rios europeus, no Mar do Norte e no Mar Báltico.

A sua conclusão, publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, é que as diferentes espécies de peixes perderam em média 50 por cento da sua massa corporal nos últimos 20 ou 30 anos. Além disso, acrescentam, a massa total dos peixes que vivem nas águas europeias baixou 60 por cento.

As espécies mais pequenas tendem a assumir um lugar mais importante nos mares e nos rios, explicou o coordenador do estudo, Martin Daufresne.

Os investigadores já sabiam que as águas mais quentes são, geralmente, habitadas por espécies mais pequenas e que o aquecimento das águas afecta as migrações e os hábitos de reprodução dos peixes.

Mas o impacto na dimensão dos animais é “enorme”, estima Daufresne. Os peixes mais pequenos têm menos crias e constituem presas mais pequenas para os seus predadores, incluindo o homem, colocando assim consequências graves para a cadeia alimentar e para o ecossistema.

Daufresne conclui que a sobre-pesca não é a única razão para a diminuição do tamanho dos peixes. “O nosso estudo estabelece que a temperatura tem um grande papel”.

[ Público ]

Actualizado em ( 21-Jul-2009 )

terça-feira, 21 de julho de 2009

Política Agrícola deita por terra esforços de protecção da Natureza na Europa



A Comissão Europeia (CE) publicou os resultados de um exercício para avaliar o estado do património natural nos 27 Estados Membros. Usando dados fornecidos pelos governos, este relatório analisa a situação de centenas de habitats e mais de um milhar de espécies de plantas e animais protegidos pela Directiva Habitats da União Europeia (EU).


Apesar de algumas melhorias, graças a acções e projectos específicos de conservação da natureza, o relatório salienta que a UE quase de certeza irá falhar o objectivo para 2010 de estancar a perda de biodiversidade.

Particularmente ameaçados estão os ecossistemas agrícolas, as zonas húmidas e a orla costeira. Apenas 17% das espécies e dos habitats mais importantes da UE viram o seu estatuto de conservação melhorado.

A SPEA e a BirdLife International, que têm desenvolvido projectos significativos para conservação da biodiversidade, aplaudem a CE por este relatório demolidor e consideram particularmente importante o enfoque especial no papel da agricultura em todo este processo: Konstantin Kreiser, responsável da BirdLife para as Políticas da UE comenta que “temos agora a prova definitiva de que a Política Agrícola Comum (PAC) continua a ser uma das ameaças principais para a natureza e a biodiversidade na Europa”. O relatório mostra que os habitats dependentes da gestão agrícola e agro-florestal estão particularmente ameaçados, quando comparados com outros (apenas 7%, comparativamente a 21%, possuem uma situação favorável). As pastagens extensivas e os pousios, habitats muito importantes para a natureza, estão particularmente ameaçados pela intensificação e pelo abandono agrícola.

As conclusões da CE coincidem com a evidência científica recolhida pela parceria BirdLife International (incluindo a SPEA) sobre o declínio das aves dos meios agrícolas. Em Portugal 50 espécies de aves dependentes dos ecossistemas agrícolas e agro-florestais encontram-se ameaçadas. Algumas estão mesmo em perigo crítico de extinção, como o Milhafre-real e o Rolieiro. Domingos Leitão, Coordenador do Programa Rural da SPEA, não tem dúvidas em afirmar que “a responsabilidade desta falha na implementação de politicas e medidas adequadas é dos governos nacionais e dos Ministros da Agricultura”.

Em Portugal, desde 2006 que a SPEA critica fortemente o Ministério da Agricultura devido à implementação deficiente do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR). Falta investimento na Rede Natura 2000, em instrumentos financeiros que apoiem os agricultores que optam por práticas amigas da natureza. “O mais incrível é que o PDR Português foi aprovado em 2007 com a promessa do Ministro Jaime Silva de investir mais 50 milhões de euros em medidas agro-ambientais específicas para a Rede Natura 2000, e até à data nada foi feito” salienta Domingos Leitão. Um pouco por toda a UE os governos cedem aos poderosos lóbis agrícolas e, em vez de apoiar a agricultura sustentável, gastam o dinheiro da PAC na intensificação agrícola, como os projectos megalómanos de regadio. O relatório da CE é muito oportuno, considerando que começou recentemente o debate sobre a reforma radical da PAC, talvez a última hipótese de aplicação de verdadeiras medidas de apoio ao ambiente rural.

A BirdLife International e a SPEA consideram ainda escandaloso que passados 17 anos após a adopção da Directiva Habitats da UE ainda haja Estados Membros que alegam não conhecer o estatuto das suas espécies de plantas e animais mais importantes. Portugal é directamente visado nesta critica juntamente com Grécia e Espanha, que indicaram que desconhecem a situação de mais de 50% das suas espécies.

Domingos Leitão afirma que “este é o resultado de mais de uma década de desinvestimento na natureza, que levou ao desaparecimento dos programas de seguimento que existiam e a uma ignorância deliberada dos que foram criados”.

A SPEA desenvolve quatro programas de seguimento de populações de aves, com base no trabalho de mais de 150 voluntários, coordenados por ornitólogos profissionais. Um desses programas, o Censo da Aves Comuns, apesar de fornecer informação estatística que Portugal tem de apresentar anualmente a Bruxelas, não tem qualquer apoio financeiro do Estado. Domingos Leitão confessa que “a SPEA tem colhido promessas do Ministério da Agricultura e do Ministério do Ambiente, mas ainda não recebeu um único euro pelos dados que recolhe, analisa e disponibiliza desde 2004”.Perante esta situação inaceitável a SPEA apela à CE que tome uma posição firme contra Portugal e outras Estados Membros, de modo a forçar os governos a investir mais no seguimento da biodiversidade.

Por último, a BirdLife e a SPEA, concluem que apesar dos bons instrumentos, como a Rede Natura 2000 e a Directiva Habitats, a UE e os governos nacionais têm falhado sistematicamente na reforma e implementação das políticas sectoriais relevantes. Como diz Konstantin Kreiser, “por esta razão este relatório não surpreende ninguém”. Mas a Europa não pode dar-se ao luxo de falhar novamente com a Biodiversidade. Para isso necessitamos de uma verdadeira reforma da PAC, que favoreça a natureza, o bem estar, a segurança alimentar e a prosperidade económica.

Actualizado em ( 20-Jul-2009)
http://www.cienciapt.net/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=99957&Itemid=368

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Inaugurada primeira companhia aérea só para animais



Um casal norte-americano decidiu criar a primeira companhia aérea exclusiva para animais. Esta semana, descolou de Farmingdale, no Estado de Nova Iorque, o primeiro voo para animais de estimação.

PetAirways
Já existe uma companhia aérea só para animais As companhias aéreas comerciais permitem apenas um número limitado de animais a bordo. Noutras, cães e gatos viajam como bagagem, às escuras e sujeitos a temperaturas oscilantes.

Razões suficientes para Alysa Binder e Dan Wiesel terem aproveitado os seus conhecimentos para criar a Pet Airways.

A empresa já existe desde 2005, mas os últimos quatro anos foram passados a organizar, estruturar e gerir o projecto à luz das exigências dos animais, das regulações da FAA e dos horários dos aeroportos.

O casal empreendedor garante estar feliz com a resposta. Os voos já estão cheios para os próximos dois meses.

A Pet Airways voa entre as cinco maiores cidades dos Estados Unidos: Nova Iorque, Washington, Chicago, Denver e Los Angeles.

Um bilhete de ida custa 250 dólares, aproximadamente a mesma quantia paga às companhias regulares. A diferença está no serviço. Os animais viajam na cabina principal, são acompanhados por membros da tripulação, que regularmente os vigiam, têm direito a caminhadas antes do voo, usufruem de um "Pet Lounge" nos aeroportos e a refeições a bordo.

Para os próximos anos, estão previstos voos em cerca de 20 localidades

http://sic.aeiou.pt/online/noticias/vida/2009715+Inaugurada+primeira+companhia+aerea+so+para+animais.htm

SIC Publicação: 15-07-2009 15:44