sexta-feira, 21 de maio de 2010

Estória da Andorinha


O homem chegou a casa já tarde, encostou a bicicleta à parede e, subindo para um caixote, foi ver o ninho de andorinhas que todos os anos ocupavam aquele canto da casa de entrada, onde se cozinha, se comia e se vivia. Estavam as duas andorinhas cá fora e os filhotes dentro do ninho, todos a dormir. O homem pegou então uma andorinha, fez-lhe festas e trouxe-a para baixo, colocando-a sobre o selim da bicicleta mas, quando deu por isso, reparou que a andorinha estava morta. Ficou muito incomodado mas já não havia nada a fazer. Choque nervoso? Medo? Mágoa por deixar os filhotes que estavam quase a aprender a voar?

A estorinha (verdadeira) não acaba aqui. Na manhã seguinte a andorinha restante saiu para o exterior e voltou cerca de trinta minutos depois com um companheiro, cuja diferença era a cauda mais comprida. E foi já com o novo companheiro (companheira?) que ensinaram os filhotes a voar.

O que se passou, estimado amigo deste blog? Ajude-nos a compreender.

a.b.m.

Foto : http://olhares.aeiou.pt/andorinha_foto220840.html

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cão ‘rebelde’ é estrela na internet


Ninguém sabe como se chama, de onde veio ou sequer se tem dono. A única coisa que se sabe é que, sempre que há confusão no centro de Atenas, lá está ele, ao lado dos manifestantes, a ladrar furiosamente contra a lei, a ordem e os poderes instituídos.

No Facebook e em vários blogues de homenagem na internet chamam-lhe ‘cão rebelde’, ‘cão anarca’ e ‘manifestante canino’, e há rumores de que já ‘participa’ em manifestações desde 2008.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/insolito/cao-rebelde-e-estrela-na-internet

quarta-feira, 5 de maio de 2010

LIVROS COM BICHOS


“Bichos”, de Miguel Torga foi escrito em 1940 e continua hoje a ser leitura obrigatória e uma das obras mais importantes da nossa literatura.
Compreende-se melhor o livro se for lido até ao fim – aliás o que deve acontecer com todos os livros, creio. Pois cada capítulo é um animal diferente (também entram humanos) e a sua história. Quais são esses animais?
O cão Nero, o gato Mago, Madalena, humana, Morgado, um burro de carga, Bambo, um sapo encantador, Tenório, o gato, Jesus, um menino que rouba um pintassilgo do seu ninho e fica com ele, Cega-rega, formiga, Ladino, um pardal manhoso, Ramiro, cordeiro, Farrusco, um melro com uma vida agitada, o Miura só poderia ser um touro, o senhor Nicolau, um amante de insectos e, finalmente, o Vicente, o corvo que, com determinação, alcança a liberdade em luta com Deus.
O meu bicho preferido é o Vicente mas não vou contar-vos a história; terão que ler o livro, não como castigo mas como uma bênção.
Mas, sobre o Vicente, tenho uma história pessoal para vos contar.
Antes de 1974 trabalhava na Emissora Nacional (hoje RDP), e estava apaixonado pelo Vicente. Escrevi ao dr. Adolfo Rocha (nome do pseudónimo Miguel Torga) a pedir autorização para o adaptar à Rádio. Ele disse que sim, sem exigências, pois sabia bem o que me iria acontecer: a direcção da EN recusou a minha proposta por “não ser oportuno”. Passaram-se dois anos e veio Abril com uma revoada de cravos vermelhos. Nunca tal se tinha visto. Aproveitei o momento para pedir de novo a Miguel Torga a autorização almejada. Desta vez deu-a com uma condição: “Queria ler primeiro a adaptação para a Rádio.”Enviei-lhe pelo correio a adaptação e, pelo telefone. pedi-lhe que fosse ele a ler aquele extraordinário prefácio do livro. Recusou. Escrever era com ele; falar não. Pedi-lhe uma manhã livre para o visitar, o que ele acedeu.
Cheguei a Coimbra com o meu colega técnico de som Espírito Santo (coincidência apenas, não mão divina a ajudar-me!).
Mandou-nos entrar, ofereceu-nos café ou chá e depois fizemos um trato (como dizem os nossos irmãos brasileiros): ele gravaria o prefácio, depois ouvia a gravação e, se não gostasse, logo em seguida a apagaríamos. “Está bem”, respondeu simplesmente. Começámos a gravar. Não se enganou, não parou, não houve telefones a tocar, portas a bater nem crianças a chorar. Tudo tinha parado para que Miguel Torga, pela mão técnica de Espírito Santo, gravasse com calma as belas palavras do seu prefácio.
O trato cumpriu-se. Miguel Torga ouviu a gravação e viu-nos de olhos brilhantes. Disse perguntando: “Saiu bem, não saiu?” Perante a nossa reverente concordância, ele disse que sim, senhor, que eu podia pô-lo na adaptação.
Mais tarde gravei de novo a adaptação na Rádio Moçambique, incluindo o prefácio pelo autor.
Há uns anos, a TSF levou alguns dias a falar de Miguel Torga. Mandei ao locutor Fernando Alves uma cópia do prefácio. Não acusou a recepção nem agradeceu. Mas isto é outro filme.
Como apontamento final, gostaria de saber se o arquivo histórico da RDP tem este prefácio lido pelo autor.

Alvaro Belo Marques

Foto :
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terça-feira, 20 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

MAIS UM DIA PERDIDO


Perdi um dia. Náo sei como isto foi. Deitei-me no domingo à noite, como habitualmente., com o gato lá fora para não me incomodar. Depois fui fazendo e desfazendo a semana e, quando chegou a quarta-feira, perto da hora do almoço, eu disse ao meu vizinho e amigo TiZé:”Amanhã vem a Luísa.” E ele: “Não costuma vir à quinta?”, “É.” Respondi eu. “Então vem hoje.” “Hoje?” “Sim, homem! Hoje é 5ª. Feira.” Fiquei paralítico. Nada se mexeu em mim. Quinta-feira, hoje?! Falta-me um dia. Eu vivi os dias todos... ou não? Alguém me tirou um dia. Fiz as contas e hoje dava quarta-feira. Mas o meu vizinho tem de estar sempre a pau com os dias pois tem 91 anos de idade. A Lua, a gata, ia a passar por mim, devagar, e eu aproveitei para lhe perguntar: “Olha lá! Que dia é hoje?” “E eu é que sei? Só sabemos quando é Janeiro por causa do cio”, e seguiu o seu caminho como se nada se tivesse passado, Isto não podia ficar assim. Já eram três da tarde e a Luísa costuma chegar às très e vinte. Corri para casa e liguei o computador, cheio de frenesim. E lá apareceu ao cantinho 5ª.feira. Fui então analisar o meu correio: e lá estava. Terça-feira não recebi nem enviei correio. Eis o dia que me roubaram.
Corri a casa toda à procura e, finalmente, descobri a terça-feira sob a mesa do computador mas escondida atrás do cesto dos papéis.
Está a acontecer-me muito isto agora: deixar cair as coisas sem dar por isso. E é que nem as oiço cair!
Alvaro Belo Marques
(Meu pai)

quarta-feira, 31 de março de 2010

China: Gato nomeado agente da polícia


Na província de Chongqing, na China, um gato foi nomeado agente não-oficial da Polícia. É frequente ver o animal seguir os polícias nas patrulhas, sendo que os locais já o tratam por "sr. agente".
O animal passa a maior parte dos dias na estação de polícia do distrito chinês de Shapingba e acompanha a polícia em todas as patrulhas, de tal modo que muitos cidadãos já o tratam por "sr. agente".
Um porta-voz da polícia disse que nunca ninguém reclamou a posse do gato. Assim sendo, foi adoptado pelos agentes.
"Os agentes estão a cuidar do gato e este foi considerando um membro não-oficial das forças policiais, graças ao ar relaxado e ao modo diligente de caçar ratos", explicou o porta-voz.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1532892