
Os cientistas analisaram várias amostras de variantes do parasita encontrado no sangue recolhido em exames de rotina feitos a chimpanzés que vivem nos santuários no Camarões e na Costa do Marfim.
Estudo pode ser importante para futura vacina
O parasita responsável pela grande maioria dos casos de malária em humanos terá sido transmitido por chimpanzés da África equatorial há milhares de anos, argumenta uma equipa de cientistas num artigo publicado ontem na revista da Proceedings of the National Academy of Sciences. A descoberta pode ser importante no desenvolvimento de uma vacina e ajudar a compreender outras doenças infecciosas, como a Sida ou a gripe das aves e a H1N1.
“Quando a malária se transferiu para os humanos, tornou-se rapidamente muito agressiva (...) A doença em humanos tornou-se resistente a muitas drogas. Tenho esperança que a nossa descoberta nos aproxime do desenvolvimento de uma vacina”, afirma Francisco Ayala, investigador da Universidade da Califórnia que é um dos autores principais do estudo, num comunicado oficial sobre a pesquisa. Os parasitas ligados à malária nas duas espécies são mais próximos do que se pensava.
Na pesquisa que decorreu nos Camarões e na Costa do Marfim, a equipa de investigadores terá conseguido mostrar que, ao contrário do que se pensava, os dois parasitas não existiram separadamente ao longo do tempo mas um deles (o que se encontra na maior parte das infecções humanas e em quase todos os casos mortais) terá tido origem no que é encontrado nos chimpanzés. A transformação do parasita aconteceu por culpa de um mosquito, dizem. Apesar das semelhanças genéticas entre o parasita plasmaodium falciparum (detectado nos humanos) e o plasmodium reichenowi (dos chimpanzés) foram identificadas algumas diferenças. A espécie que afecta os chimpanzés terá um gene (CMAH) desactivado, enquanto a outra apresenta uma sobre expressão do mesmo gene.
Os cientistas analisaram várias amostras de variantes do parasita encontrado no sangue recolhido em exames de rotina feitos a chimpanzés que vivem nos santuários nos Camarões e na Costa do Marfim. Uma análise genética permitiu fazer a ligação entre uma das estirpes e todas as variantes que afectam os humanos. Esta ligação, dizem, é suficiente para concluir que um mosquito transferiu a malária para os humanos. A subtil diferença genética faz com que os cientistas defendam que esta “transferência” ocorreu recentemente – algo entre há cinco mil anos e há dois milhões de anos.
Esta pesquisa pode ajudar a encontrar novos caminhos para a vacina de uma doença que mata mais de 1,5 milhões de pessoas por ano e faz adoecer 500 milhões. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde alertou para o aumento de casos resistência aos tratamentos.
REUTERS/Thomas Mukoya
04.08.2009 - 13h54 PÚBLICO
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