Grupos de animais marinhos podem influenciar o movimento das águas dos mares e oceanos, indica um estudo realizado por investigadores do Instituto de Tecnologia Caltech da Califórnia (EUA). A descoberta teve origem na tentativa de perceber como a composição das águas, as correntes e a sua temperatura podem alterar a vida destes seres. No entanto, a pesquisa mostrou exactamente o contrário.
Segundo o estudo, as medusas, tal como outros seres marinhos pequenos que se movimentam em grupos, podem influenciar a turbulência das águas, quase tanto como os ventos e as marés. Durante a experiência, realizada na ilha de Palau, no Oceano Pacífico, os pesquisadores colocaram tinta fluorescente nas águas onde as medusas se mexiam.
Ao contrário do que se supunha, em cada dia, milhares de pequenos animais – como medusas e outros seres marinhos – emergem centenas de metros do fundo do oceano em direcção à superfície, onde se alimentam. O poder global do movimento desse grupo equivale a um trilião de watts de energia, comparável à força dos ventos e das marés.
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=5F475BF7-108D-4C86-8D71-75CDAD208D2B&channelid=00000219-0000-0000-0000-000000000219
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Animais raros e ameaçados

Identificado na região indiana de Arunachal, o macaco que ganhou o nome daquela zona do país (Macaca munzala), foi uma das descobertas mais extraordinárias feitas ali nos últimos dez anos, segundo a WWF. A descoberta de novos primatas é algo muito raro
Na foto, em cima, esta rã, de nome científico (Leptobrachium smithi), foi descoberta em 1999 no estado de Assam, na Índia. Os seus olhos dourados sobressaem, dando-lhe um ar muito diferente do que estamos acostumados a ver nestes anfíbios. A sua população está em declínio
Parece um rato, mas não é. É uma espécie de veado em miniatura (Muntiacus putaoensis), que mede entre 60 e 80 centímetros de altura. Foi descoberto na fronteira com o Norte da Birmânia, em 1999
São pelo menos 14 novas espécies em 10 anos. Um deles é um peixe cor de chocolate (Erethistoides ascita), que foi identificado no rio Kosi, no Nepal, em 2005
Pelo menos 21 novas espécies destas flores exuberantes foram identificas nos Himalaias. Mais 15 espécies de bambus e uma nova palmeira também foram registados
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1331454&seccao=Biosfera
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cães que contam até cinco e aprendem 150 palavras

Já sabíamos que eles sabiam rebolar, deitar, ir buscar o jornal ou os chinelos. Mas agora um psicólogo americano especialista em comportamento animal veio demonstrar que os cães também sabem detectar erros em operações matemáticas e conseguem aprender centenas de palavras. E que nos enganam tanto como nós os conseguimos enganar a eles
"Até parece que pensa." Esta frase, tantas vezes ouvida a donos de cães, estará mais próxima da verdade do que poderíamos imaginar. Contar até cinco, perceber 150 palavras e enganar os donos de forma propositada e em benefício próprio. Segundo o psicólogo norte-americano Stanley Coren, estas são capacidades que os cães têm. Algumas raças mais do que outras, note-se.
Stanley Coren, professor na Universidade de British Columbia e autor de livros sobre comportamento animal, levou as conclusões da sua obra A Inteligência dos Cães ao congresso da Associação Americana de Psicologia. E algumas delas são surpreendentes. Segundo o especialista, a inteligência canina está dividida em instintiva, adaptativa (uma espécie de tentativa- -erro, até se resolver os problemas colocados) e de trabalho e obediência (aquilo que podia ser transposto para a aprendizagem escolar). Ficamos assim a saber que um cão normal pode aprender uma média de 165 palavras, mas os mais inteligentes, como os border collie (ver tabela), podem mesmo chegar às 250.
Mas os cães não são apenas bons linguistas, como ainda percebem de aritmética. Stanley Coren constatou, por exemplo, que os cães são capazes de detectar erros em operações matemáticas como 1+1=1 ou 1+1=3.
No livro do psicólogo americano encontramos também exemplos de inteligência adaptativa. Prince, um border collie, aproveitava as saídas das visitas de casa dos donos para tentar ir à rua. Certo dia, numa dessas corridas desenfreadas, acabou por ir contra as típicas protecções de portas usadas nos Estados Unidos e passou por entre os fios. Tinha encontrado a sua escapatória! Mas a descoberta não durou muito tempo. Pouco tempo depois, o dono percebeu o esquema e substituiu o fio por arame grosso. Frustrado, o cão começou a cirandar pela casa e apercebeu-se de que o material que cobria aquelas janelas que costumavam estar abertas era o mesmo pelo qual passava na porta de entrada. Para um exemplar da raça mais inteligente do mundo não foi difícil perceber que tinha encontrado outra saída para o mundo exterior.
Tendo em conta este acumulado de capacidades, não admira que "os cães tenham quase tanto êxito a enganar os humanos como os humanos a enganar os próprios animais", confessa o psicólogo, que apresenta no livro um outro caso elucidativo.
Arnold, um caniche, começou a urinar na cama da dona quando esta começou a receber o namorado em casa. Aquilo que aparentemente parecia um caso instintivo de simples ciúmes, era afinal mais do que isso. A questão é que o cão era demasiado esperto e percebeu que a dona ligava mais ao seu mau comportamento do que às boas acções. E cedo sentiu que urinar na cama era algo que causava particular fúria. Assim, sempre que a dona começava a dar mais atenção ao namorado, o cão atraía as atenções sobre si. A dona não só deixava de estar com o namorado como já não podia usar os lençóis.
Carla Peralta treina cães-de- -água no Algarve e contou ao DN como um cão pode "dar a volta" ao dono. "É tudo uma questão de dominância, eles ganham ascendente sobre a pessoa. Tenho o exemplo de uma senhora que não conseguia impor autoridade e a cadela fazia dela o que queria. A dona dizia uma coisa e o animal fazia outra." Talvez este fosse o caso de um cão demasiado inteligente.
PEDRO VILELA MARQUES DN Ciência
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1330467&seccao=Biosfera
domingo, 9 de agosto de 2009
Cegonhas aumentam 15 por cento num ano
A tendência é de expansão do número de cegonhas na região de Aveiro. Muitos dos juvenis que aí nascem, voltam para se reproduzir. Escolhem o local devido às zonas húmidas e vales de água doce com campos agrícolas.
No último ano registou-se um aumento de 15 por cento no número de casais de cegonhas que, habitualmente, escolhem a zona da Ria de Aveiro para nidificar. Eram 200, agora são 230. E a tendência é para aumentar. Fernando Leão, da associação ambientalista Quercus, explica que tal se deve ao facto "dos juvenis que nascem cá, escolherem esta zona para se reproduzir, daí que todos os anos apareçam novos casais".
Os casais de cegonhas existem em quase todos os concelhos limítrofes à Ria de Aveiro (ver ficha). De fora dos locais preferidos ficam Vagos e Ílhavo "porque não têm as condições de habitat necessárias para as cegonhas, isto é, poucos campos agrícolas perto de vales de água doce", refere Leão.
Este ritmo acelerado de crescimento do número de cegonhas na região verifica-se desde meados dos anos 90. "O primeiro casal apareceu em 1989, mas em meados dos anos 90, por volta de 1995, registou-se um aumento acentuado".
A zona da Ria de Aveiro apresenta as condições ideias para as cegonhas se reproduzirem. Trata-se de um habitat localizado em zonas húmidas, com proximidade dos rios e campos agrícolas onde se alimentam. É normal ver-se muitos ninhos de cegonhas em cima de postes e sinais de trânsito na zona da auto-estrada 25 (A25), por exemplo.
Esta realidade, no entanto, "acabará por ser mudada", explica Fernando Leão. "Há um esforço para se retirar os ninhos destes locais para as imediações devido a questões de segurança para os automobilistas", afirma, explicando que "podem cair paus dos ninhos, ou até mesmo juvenis quando começam a aprender a voar e podem cair em cima de um carro".
O ambientalista concorda com a retirada dos ninhos destas zonas junto à auto-estrada e alerta para o facto da melhor altura para o fazer ser esta. "As cegonhas nidificam durante Fevereiro e Março e os juvenis saem dos ovos em Junho. Por isso, Agosto e Setembro são os meses ideias para a retirada dos ninhos para locais mais seguros", esclarece Fernando Leão.
PAULA ROCHA Jornal de Noticicias 8.8.09
No último ano registou-se um aumento de 15 por cento no número de casais de cegonhas que, habitualmente, escolhem a zona da Ria de Aveiro para nidificar. Eram 200, agora são 230. E a tendência é para aumentar. Fernando Leão, da associação ambientalista Quercus, explica que tal se deve ao facto "dos juvenis que nascem cá, escolherem esta zona para se reproduzir, daí que todos os anos apareçam novos casais".
Os casais de cegonhas existem em quase todos os concelhos limítrofes à Ria de Aveiro (ver ficha). De fora dos locais preferidos ficam Vagos e Ílhavo "porque não têm as condições de habitat necessárias para as cegonhas, isto é, poucos campos agrícolas perto de vales de água doce", refere Leão.
Este ritmo acelerado de crescimento do número de cegonhas na região verifica-se desde meados dos anos 90. "O primeiro casal apareceu em 1989, mas em meados dos anos 90, por volta de 1995, registou-se um aumento acentuado".
A zona da Ria de Aveiro apresenta as condições ideias para as cegonhas se reproduzirem. Trata-se de um habitat localizado em zonas húmidas, com proximidade dos rios e campos agrícolas onde se alimentam. É normal ver-se muitos ninhos de cegonhas em cima de postes e sinais de trânsito na zona da auto-estrada 25 (A25), por exemplo.
Esta realidade, no entanto, "acabará por ser mudada", explica Fernando Leão. "Há um esforço para se retirar os ninhos destes locais para as imediações devido a questões de segurança para os automobilistas", afirma, explicando que "podem cair paus dos ninhos, ou até mesmo juvenis quando começam a aprender a voar e podem cair em cima de um carro".
O ambientalista concorda com a retirada dos ninhos destas zonas junto à auto-estrada e alerta para o facto da melhor altura para o fazer ser esta. "As cegonhas nidificam durante Fevereiro e Março e os juvenis saem dos ovos em Junho. Por isso, Agosto e Setembro são os meses ideias para a retirada dos ninhos para locais mais seguros", esclarece Fernando Leão.
PAULA ROCHA Jornal de Noticicias 8.8.09
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Abandono deixou de ser prática exclusiva do período de férias – associações
Lisboa, 02 Ago (Lusa) - O abandono de animais de estimação em Portugal deixou de ser uma prática exclusiva dos meses que antecedem as férias de Verão e passou a acontecer todos os dias do ano, acusam responsáveis de associações.
"Qualquer pretexto serve" para abandonar um animal de estimação quando se torna incómodo ou um entrave. Quem o afirma é Ana Pino, uma das responsáveis da Associação Portuguesa de Cães Abandonados (APCA), que diariamente acolhe os animais que tiveram a rua como destino ou os que são entregues directamente à porta da associação.
"Vou trabalhar para o estrangeiro" ou "vou mudar para uma casa onde o senhorio não permite animais" são, segundo a responsável da APCA, apenas "algumas das muitas desculpas" que diariamente ouve quando os até então melhores amigos do homem se tornam um obstáculo para os donos.
"Há dois ou três anos verificava-se um aumento significativo de cães abandonados antes do Verão. Mas essa tendência já não se nota. Infelizmente, o abandono passou a acontecer todos os dias do ano", lamenta Ana Pino, que já conta 206 cães na associação.
É uma "situação dramática que já vinha a aumentar e que agora foi agravada pela crise económica", refere, por sua vez, o presidente da associação Animal, para quem, no entanto, continuam a "notar-se picos de abandono entre Junho e Agosto".
Segundo disse à Lusa Miguel Moutinho, os factores económicos contribuem cada vez mais para o abandono de animais em Portugal. "Muitos já não conseguem suportar as despesas mais básicas, como a alimentação, e optam pelo abandono do animal, que é sempre o elo mais fácil", critica.
Mas não é apenas o aumento do número que preocupa Ana Pino. A responsável da associação sedeada em Sintra lamenta que os cães que até lá conseguem chegar estejam "em cada vez pior estado".
"Há uma grande falta de responsabilidade. As pessoas não percebem o que significa ter um cão e as despesas quase nunca são tomadas em conta", critica, referindo que "tudo o que tem a ver com dinheiro é muito complicado".
Quando os donos são confrontados com "grandes despesas veterinárias - que não têm nenhum tipo de comparticipação nem podem ser descontadas no IRS - os cães são simplesmente abandonados porque não há como os tratar".
Há até, muitos que "recusam pagar um cêntimo quando entregam os animais à associação", que para receber um cão pede "uma taxa de 20 a 50 euros", refere.
As estimativas que apontam para que cada ano sejam abandonados dez mil cães em todo o país não convencem quem já está no terreno há muitos anos. "Parece-me muito pouco, quando a APCA, que é pequena, acolhe cerca de 300 cães por ano e os canis municipais, em média, entre 40 e 50 por semana", reage Ana Pino.
Opinião partilhada por Miguel Moutinho, que considera tal número "absurdo". "Se fossem apenas dez mil animais estaríamos muito bem", refere, salientando que as estimativas que as associações fazem no terreno "são muito mais dramáticas".
"Não existe qualquer estudo que permita falar de números próximos da realidade. Mas, se admitirmos, que, em média, 500 animais (números conservadores) são abandonados em cada um dos 308 concelhos por ano, já estamos a falar de 150 mil", explicou.
Por Simon Kamm, Agência Lusa. In “Expresso Online”
"Qualquer pretexto serve" para abandonar um animal de estimação quando se torna incómodo ou um entrave. Quem o afirma é Ana Pino, uma das responsáveis da Associação Portuguesa de Cães Abandonados (APCA), que diariamente acolhe os animais que tiveram a rua como destino ou os que são entregues directamente à porta da associação.
"Vou trabalhar para o estrangeiro" ou "vou mudar para uma casa onde o senhorio não permite animais" são, segundo a responsável da APCA, apenas "algumas das muitas desculpas" que diariamente ouve quando os até então melhores amigos do homem se tornam um obstáculo para os donos.
"Há dois ou três anos verificava-se um aumento significativo de cães abandonados antes do Verão. Mas essa tendência já não se nota. Infelizmente, o abandono passou a acontecer todos os dias do ano", lamenta Ana Pino, que já conta 206 cães na associação.
É uma "situação dramática que já vinha a aumentar e que agora foi agravada pela crise económica", refere, por sua vez, o presidente da associação Animal, para quem, no entanto, continuam a "notar-se picos de abandono entre Junho e Agosto".
Segundo disse à Lusa Miguel Moutinho, os factores económicos contribuem cada vez mais para o abandono de animais em Portugal. "Muitos já não conseguem suportar as despesas mais básicas, como a alimentação, e optam pelo abandono do animal, que é sempre o elo mais fácil", critica.
Mas não é apenas o aumento do número que preocupa Ana Pino. A responsável da associação sedeada em Sintra lamenta que os cães que até lá conseguem chegar estejam "em cada vez pior estado".
"Há uma grande falta de responsabilidade. As pessoas não percebem o que significa ter um cão e as despesas quase nunca são tomadas em conta", critica, referindo que "tudo o que tem a ver com dinheiro é muito complicado".
Quando os donos são confrontados com "grandes despesas veterinárias - que não têm nenhum tipo de comparticipação nem podem ser descontadas no IRS - os cães são simplesmente abandonados porque não há como os tratar".
Há até, muitos que "recusam pagar um cêntimo quando entregam os animais à associação", que para receber um cão pede "uma taxa de 20 a 50 euros", refere.
As estimativas que apontam para que cada ano sejam abandonados dez mil cães em todo o país não convencem quem já está no terreno há muitos anos. "Parece-me muito pouco, quando a APCA, que é pequena, acolhe cerca de 300 cães por ano e os canis municipais, em média, entre 40 e 50 por semana", reage Ana Pino.
Opinião partilhada por Miguel Moutinho, que considera tal número "absurdo". "Se fossem apenas dez mil animais estaríamos muito bem", refere, salientando que as estimativas que as associações fazem no terreno "são muito mais dramáticas".
"Não existe qualquer estudo que permita falar de números próximos da realidade. Mas, se admitirmos, que, em média, 500 animais (números conservadores) são abandonados em cada um dos 308 concelhos por ano, já estamos a falar de 150 mil", explicou.
Por Simon Kamm, Agência Lusa. In “Expresso Online”
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A árvore e os pássaros, unidos na floresta Africana

Três pesquisadores em Vancouver dizem haver a uma ligação estreita entre as árvores e os pássaros no Serengeti, na Tanzânia.
Nesta região, espalhada de floresta, mais de 70% da vegetação desapareceu desde 1950.Esta perda também conduz a menos aves.
Ao estudar este relacionamento,com observações realizadas no terreno desde 1966, os três cientistas mostram como o destino das aves e as árvores estão ligados. Nas grandes florestas tropicais, os animais desempenham um papel essencial na vida das árvores; como os animais se alimentam de frutos e, em seguida, rejeitam-nos pré-digerindo as sementes que ficam nas suas fezes. Estas ficam muito duras para germinarem para dar origem a outras árvores.
Assim, o elefante na floresta da Bacia do Congo mantêm seu estilo de vida; a floresta e os pássaros do Serengeti cooperaram ficando a floresta é mais densa, como muitos animais incluindo aves.
O papel das aves é especialmente importante para lidar com os besouros que ali vivem. Estes parecem incapazes de comer as sementes que caiem ao chão. As sementes ingeridas por pássaros e os seus excrementos libertados atraem os nossos pequenos besouros. Assim os pássaros é que tiram partido da árvore para viver e comer, protegendo a sua reprodução. No entanto, esta simbiose é frágil:as florestas são danificadas após um incêndio.
Os três pesquisadores descobriram que a proporção de sementes no solo aumenta, promovendo o desenvolvimento de besouros. As árvores, por isso, são difíceis de se reproduzirem o que causa o não retorno das aves.
Denis Delbecq Science e Vie
Edição de 3 de Julho de 2009
Imagem: floresta da Tanzânia © Science / AAAS
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Parasita da malária veio dos chimpanzés para os humanos

Os cientistas analisaram várias amostras de variantes do parasita encontrado no sangue recolhido em exames de rotina feitos a chimpanzés que vivem nos santuários no Camarões e na Costa do Marfim.
Estudo pode ser importante para futura vacina
O parasita responsável pela grande maioria dos casos de malária em humanos terá sido transmitido por chimpanzés da África equatorial há milhares de anos, argumenta uma equipa de cientistas num artigo publicado ontem na revista da Proceedings of the National Academy of Sciences. A descoberta pode ser importante no desenvolvimento de uma vacina e ajudar a compreender outras doenças infecciosas, como a Sida ou a gripe das aves e a H1N1.
“Quando a malária se transferiu para os humanos, tornou-se rapidamente muito agressiva (...) A doença em humanos tornou-se resistente a muitas drogas. Tenho esperança que a nossa descoberta nos aproxime do desenvolvimento de uma vacina”, afirma Francisco Ayala, investigador da Universidade da Califórnia que é um dos autores principais do estudo, num comunicado oficial sobre a pesquisa. Os parasitas ligados à malária nas duas espécies são mais próximos do que se pensava.
Na pesquisa que decorreu nos Camarões e na Costa do Marfim, a equipa de investigadores terá conseguido mostrar que, ao contrário do que se pensava, os dois parasitas não existiram separadamente ao longo do tempo mas um deles (o que se encontra na maior parte das infecções humanas e em quase todos os casos mortais) terá tido origem no que é encontrado nos chimpanzés. A transformação do parasita aconteceu por culpa de um mosquito, dizem. Apesar das semelhanças genéticas entre o parasita plasmaodium falciparum (detectado nos humanos) e o plasmodium reichenowi (dos chimpanzés) foram identificadas algumas diferenças. A espécie que afecta os chimpanzés terá um gene (CMAH) desactivado, enquanto a outra apresenta uma sobre expressão do mesmo gene.
Os cientistas analisaram várias amostras de variantes do parasita encontrado no sangue recolhido em exames de rotina feitos a chimpanzés que vivem nos santuários nos Camarões e na Costa do Marfim. Uma análise genética permitiu fazer a ligação entre uma das estirpes e todas as variantes que afectam os humanos. Esta ligação, dizem, é suficiente para concluir que um mosquito transferiu a malária para os humanos. A subtil diferença genética faz com que os cientistas defendam que esta “transferência” ocorreu recentemente – algo entre há cinco mil anos e há dois milhões de anos.
Esta pesquisa pode ajudar a encontrar novos caminhos para a vacina de uma doença que mata mais de 1,5 milhões de pessoas por ano e faz adoecer 500 milhões. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde alertou para o aumento de casos resistência aos tratamentos.
REUTERS/Thomas Mukoya
04.08.2009 - 13h54 PÚBLICO
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